Mulheres com Deficiência pela Inclusão Já!

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terça-feira, 27 de junho de 2017

BOTECO DA DIVERSIDADE: SEXUALIDADE E DEFICIÊNCIA - Capítulo 1

Queridas e queridos, vamos publicar - em capítulos - um importante artigo sobre sexualidade e deficiência escrito por Ana Rita de Paula para o grande encontro realizado no SESC Pompéia em que Leandra Migotto Certeza esteve presente. 

Aproveitem a ótima reflexão de aspectos fundamentais sobre o assunto escrito tão bem de forma clara e certeira! Compartilhem e comentem!  

E aguardem a cobertura jornalística sobre o Boteco da Diversidade aqui em nosso blog... 


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Por Ana Rita de Paula em 16/05/2017


“Assim que quebrei o pescoço, uma de minhas maiores preocupações era a de não poder fazer mais sexo. Aliás, não voltar a ter prazer é um assunto que aflige muita gente que se depara com uma deficiência. Comigo não foi diferente. Por isso, na dúvida, quis tirar a prova rápido.  Fiz sexo na UTI”.

“A maioria dos meus namorados infelizmente eram cegos (risos). Videntes querem proteger demais e não gostam muito de sair com a gente em público, mas um namorado vidente pode me proporcionar muito mais, podemos passear de carro, sair mesmo que esteja chovendo, é a mais pura realidade”.
“Calma gente, não está doendo, está tudo bem”. Era dessa forma que M. G. A., que tem síndrome de Down, tentava acalmar os pais e os dois irmãos ao seguir para uma maternidade, onde daria à luz a sua primeira filha”,

“Eu, um menino surdo, tinha um primo que ficava junto comigo e que acabou tendo relação sexual comigo e eu fui criado junto com ele, mas eu não entendia nada daquilo e desde criança esse meu primo tinha relação sexual comigo. Eu fui entendendo...Eu gostei da relação homossexual. Desde o início eu gostei muito e eu fui percebendo o jeito feminino. Eu fui querendo tanto ser uma menina, eu sentia esse desejo, esse sonho de ser mulher, sempre eu tive esse desejo feminino”.

Certamente, você leitor, já se indagou se as pessoas com deficiência física têm desejo sexual e se fazem sexo. Como as pessoas cegas namoram. Qual o ideal de mulher que os homens cegos têm. É razoável e prudente que uma mulher com deficiência intelectual seja mãe? As pessoas com deficiência intelectual podem ter filhos normais? E, há pessoas com deficiência homossexuais?

Apesar de termos milhões de perguntas sobre deficiência, sexualidade e sobre sexualidade e deficiência estes temas são muito pouco discutidos, sendo desconfortável, ainda hoje, falar sobre isto.

Para compreendermos a articulação entre os temas da deficiência e da sexualidade precisamos partir do impacto que uma deficiência impõe à representação por parte da sociedade sobre as pessoas que possuem incapacidades. Muitas vezes, a própria ideia de ser pessoa é colocada em dúvida nestes casos.Conforme salienta Skliar (2010), “ser ouvinte é ser falante e é também ser branco, homem, profissional, letrado, civilizado. Ser surdo, portanto, significa não falar – surdo mudo – e não ser humano” (p. 21).

A deficiência (com qualquer tipo de incapacidade) é mais uma característica utilizada para estabelecer desigualdades entre as pessoas “diferentes” e as pessoas “normais”, idealizadas, com um jeito de ser que se coaduna com um padrão de homem ideal. Na verdade, padrão este, inexistente, construído para alicerçar relações de poder.

Mas, efetivamente, quais as características que nos tornam humanos? Embora existam diversas respostas para esta pergunta, três características aparecem sempre quando nos questionamos sobre a natureza humana.

Nós humanos somos seres históricos, isto é, alteramos a natureza e nosso contexto de vida, mudando a nós mesmos neste processo, diferentemente dos animais que repetem indefinidamente os mesmos comportamentos, em uma relação fixa de dependência com o meio ambiente e seus instintos.

Para viver essa realidade, o fato de termos memória é fundamental. A memória é a capacidade de lembrar daquilo que tem significado especial para nós e nos permite aprender e evoluir. Por sua vez, a linguagem é peça primordial para a memória. É através da linguagem que nomeamos as coisas, emprestando significado a tudo que está ao nosso redor, no nosso exterior e, também às coisas que habitam dentro de nós. Entre estas coisas, o desejo, intimamente ligado à sexualidade, é mais uma característica que nos difere dos animais. O instinto dos animais é predeterminado e imutável, o desejo humano é plástico. Ele está na base do nosso desenvolvimento psíquico, emocional, cultural, social e político.

No dizer da filósofa brasileira Marilena Chauí,

“...a sexualidade não se confunde com um instinto, nem com um objeto (parceiro), nem com um objetivo (união dos órgãos genitais no coito). Ela é polimorfa, polivalente, ultrapassa a necessidade fisiológica e tem a ver com a simbolização do desejo. Não se reduz aos órgãos genitais (ainda que esses possam ser privilegiados na sexualidade adulta) porque qualquer região do corpo é suscetível de prazer sexual, desde que tenha sido investida de erotismo na vida de alguém, e porque a satisfação sexual pode ser alcançada sem a união genital” (Chauí, 1984, p.15).

Corpos deficientes, desviantes, diversos e desafiadores

É importante lembrar que o corpo é o espaço comum da vivência da sexualidade e da deficiência simultaneamente.Nós conhecemos nosso corpo ao andar, fazer amor, ao nos lavar, do mesmo modo que o conhecemos através da dor, da doença e das emoções.

O Corpo é o que possuímos de mais privado e simultaneamente é o que temos de mais público.É através do corpo que somos percebidos, aprovados ou reprovados pelos outros. Ele é mais do que um feixe de ossos e músculos e, embora, seja no corpo material que sentimos prazer, a sexualidade se constrói e se expressa no corpo simbólico.O corpo simbólico é a nossa experiência cotidiana de existir.

Essa experiência corporal faz parte de nossa identidade/subjetividade e é influenciada pela cultura, ou seja, depende do lugar onde vivemos e dos comportamentos, valores e regras que compartilhamos. Assim, é muito diferente a experiência de ser mulher no Brasil e no Oriente Médio, por exemplo. Da mesma forma, experimentamos situações de maior capacidade ou incapacidade em países mais desenvolvidos, nos quais a questão da acessibilidade está melhor resolvida, do que em países mais pobres onde a questão da sobrevivência é o tema mais candente para as pessoas com deficiência.

O corpo, tal como a deficiência também é histórico, altera-se no tempo. Ser deficiente na Idade Média implicava em ser alvo de torturas públicas por apresentar sinais de um corpo que expressava o pecado da carne. A deficiência era explicada como determinação da vontade divina ou por influência demoníaca. Atualmente, ainda que estejamos longe de uma sociedade inclusiva, tentamos disseminar a ideia de que a deficiência é uma expressão da diversidade humana e, como tal, não deve ser encarada como infortúnio individual.

Trata-se de uma condição social, tal como a condição feminina ou a condição étnica racial. Desse modo, podemos afirmar que o fato do organismo apresentar anomalias ou disfunções não é justificativa para a discriminação ou o preconceito, base das restrições de participação social e política das pessoas com deficiência. Do mesmo modo que não podemos atribuir à presença de genitais e órgãos reprodutivos femininos o fato das mulheres, no Brasil e na maioria dos países, ganharem menos do que os homens em funções idênticas no trabalho, podemos aplicar este raciocínio à condição da deficiência. Portanto, é possível afirmar que o corpo e a sexualidade são dimensões políticas e têm a força potencial de transformar indivíduos, grupos e sociedades.

A construção de qualquer condição social objetiva a perpetuação de relações de poder assimétricas, na medida em que considera “anormal”, desqualificando aquele que foge do padrão e, justificando, assim, os tratamentos desiguais e injustos. Esta afirmação nos leva a concluir que existe um ”chão” comum a todas as pessoas que pertencem aos diferentes grupos minoritários. Falar de transexuais, negros, mulheres é tocar neste solo comum.

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Continuem lendo este artigo nos links abaixo:

Capítulo 2:

https://coletivomulheresinclusao.blogspot.com.br/2017/06/boteco-da-diversidade-sexualidade-e_28.html

sexta-feira, 10 de março de 2017

Coletivo ”Yes, we fuck”




Descrição da imagem: logo do "Coletivo Sim, nos fodemos", onde aparece um desenho de uma pessoa estilizada em sua cadeira de rodas com outra pessoa sentada em seu colo. O desenho da pessoa na cadeira de rodas está na cor branca e de outra pessoa está na cor laranja. Abaixo está escrito: Sim, Nós Fodemos".

O que é?
O coletivo ”Yes, we fuck” é um movimento que, como em países da Europa, Espanha e Portugal dentre outros, traz à discussão o tema da sexualidade das pessoas com deficiência. Considera-se como princípio que a pessoa com deficiência não é assexuada, mesmo que a causa de sua deficiência atinja a produção dos hormônios ativadores da libido, ou do desempenho sexual. A necessidade do contato físico, do carinho e do prazer é algo inerente ao ser humano.
Quem participa?
Neste movimento, os protagonistas são todas as pessoas que lutam por seus direitos ao prazer, à reprodução, ao carinho. Pessoas que trabalham na área da psicologia, fisioterapia, terapia ocupacional, sexologia e afins são benvindos para enriquecer as discussões e auxiliar no encontro de soluções para possíveis casos.
Como atua?
Há encontros mensais, onde são trazidos temas a serem trabalhados, todos referentes às pessoas com deficiência:
  • Sensualidade
  • Aceitação de seu próprio corpo
  • Sexo apoiado
  • Prostituição
  • Devoteeísmo
  • Homossexualidade/Diversidade de orientação sexual
  • Discriminação quanto ao estereótipo do corpo
  • Reprodução assistida ou não
  • Acesso aos profissionais do sexo.
  • Deficiência e sexualidade não é promiscuidade

Quais objetivos?
Já realizamos dois desses encontros, a partir dos quais algumas necessidades já ficaram claras:
É necessário:

  • Mostrar à sociedade que a sexualidade é inerente à condição do ser humano e, não está diminuída na presença de diversidades funcionais (ou deficiências), que somos e temos necessidades e desejos como qualquer pessoa;

  • Garantir por meio de políticas públicas inclusivas os direitos sexuais e reprodutivos às pessoas com deficiência, incluindo o sexo apoiado ou não;

  • Garantir que toda pessoa com diversidade funcional (ou deficiência) tenha sua sexualidade reconhecida e passível de ser praticada;

  • Conscientizar a sociedade de que temos direito ao sexo tanto quanto ao trabalho, à saúde, reabilitação ou à acessibilidade.

  • É necessário instrumentalizar cuidadores e profissionais do sexo, em processos de capacitação, para que possam suprir essa necessidade em casos de deficiência severa;

  • Descontruir mitos e crenças errôneas das demais pessoas quanto ao corpo das pessoas com deficiência. Sensibilizar e informar para que o preconceito seja minimizado. Todos os seres humanos são capazes de dar e receber prazer;

  • Promover workshops, utilizar as mais diversas mídias sobre o tema diversidade funcional (deficiência) e sexualidade;

Informações:

https://www.facebook.com/We-Fuck-Brasil-1786974841573199/

quinta-feira, 9 de março de 2017

MULHER (ES), PODER (ES) E O(S) MEDO (S)...





Descrição da Imagem publicada: uma foto (de uma série) da minha janela voltada para o pôr do sol (da deusa Disis), que intensifiquei como fogo no céu, acentuando os alaranjados, os azuis e os amarelos (próximos do que amo em Van Gogh), tempo visível com a sombra dos prédios que todos os dias posso avistar de minha janela aprisionada pelo tempo visto como passado, mas que se torna uma fulgurante demonstração de como podemos rever e transver nossas próprias horas, e se torna um tempo-vida-imaginação...


Por Jorge Márcio*

...’Esqueço as horas pensando em outras horas de quem tem poucas horas ou muitas horas. Ora Hora!... Não penso nas horas; elas e que me pensam’...

Preciso do silêncio e da negação de todos os sons para tentar pensar. Outro dia fui lembrado, nas ‘altas horas da madrugada’ que precisava me cuidar com a passagem do Tempo. Lembravam-me que, humano ainda, tenho um corpo físico e uma suposta saúde a deixar descansar. Este texto, como parto prolongado, nasceu em horas sem ruídos metálicos ou zumbidos alienantes. Em horas que não cabem nos relógios digitais ou ampulhetas.

Respondi com a frase acima, relâmpago afetivo, mais ou menos, sobre minha relação com as horas. As horas são e serão sempre femininas. As horas, conforme a mitologia grega são mulheres. Seriam as mulheres de Atenas? Aquelas cuja cidadania era negada, aquelas equiparadas apenas aos escravos. Ou seriam e são as guardiãs do Olimpo que organizam a passagem das estrelas? As que trazem a fertilidade da mudança?

Na versão apresentada pela Wikipédia são: - “As horas (em grego:  Ώρες, em latim: horae) constituíam, na mitologia grega, um grupo de deusas que presidiam as estações do ano. Filhas de Zeus e Têmis eram três deusas que personificavam a ordem do mundo. Eunômia (Εὐνομία, "legalidade") representa a legalidade, a boa ‘ordem’, as leis cívicas. Eirene ou Irene (Εἰρήνη, "paz") representa a paz. Dikê ou Dice (Δίκη, "justiça") representa a justiça”.

As horas também têm suas versões latinas. São também o tempo, as estações, as passagens dos momentos, das atividades de um dia ou as épocas. Quais seriam, hoje, as épocas que vivemos ou que nos dizem ou permitem ser vividas?  Vivemos o tempo em que a(s) Mulher (es), o(s) Poder(es) e o(s) Medo(s) encontram-se na(s)  mesma(s) encruzilhada(s)?

Como disse são, hoje, agora, nesse instante fugaz, nesse segundo, quando toco as teclas das letras que elas, as horas, aquelas deusas me assombram. Permitem-me, reles mortal, a aspirar com elas ainda sonhar com utopias, com as outras invenções gregas, tal qual a democracia. Entretanto, nesse mesmo passado do relógio, a História me diz que as deusas passaram a servir a outros ordenadores burocráticos do mundo.

Onde foram parar, pelo menos nesses territórios mais próximos, agora recriadores de novos muros e novas instituições, a legalidade, a Paz e aquela que pendula entre a espada e a balança? Passaram a ser apenas servas do Estado Nação ou de um novo Estado de Exceção?

Porém, se são Mulher (es) como já escrevi nos seus Dez(s) Mandamentos por aqui, não seguem os caminhos predeterminados pelos governantes mortais. Não se tornam, apesar de nossa persistência histórica, em escravas de um Tempo dos temores e dos desamores. Não se deixam capturar, completamente, pelas novas formas sutis de colonização de seus corpos e mentes.

O feminino e seu gozo não visíveis. Não há e nem haverá a possibilidade de sua total dominação. Nem mesmo pelas armas ou pelos exércitos ou pelas microfascistações do cotidiano e suas falsas horas. São, mesmo as mais humilhadas, ricas de outro modo de devir, outros poderes, outras desterritorializações e fugas. São e serão, mesmos as mais duras, profundamente, como as deusas, inspiradas pelas suavidades, caso contrário seus opostos se tornam soberanos.

As mulheres podem vestir togas, podem usar fardas, podem e devem cair nas homogeneizações e binarizações/dualidades. São sujeitos sociais, assim como todos os gêneros e indivíduos. Mas nenhum de seus uniformes retirará de seus corpos as suas castrações, ao contrário, podem acentuar suas falicidades. Como horas, passantes, mutantes e mutáveis, surpreendem e se surpreendem, como as heterogeneidades de formas de amar, apaixonar ou inventar. Elas são e serão uterinas, mesmo quando histerectomizadas pelos homens ou pelas novas tecnologias. Ou mesmo por outras mulheres in-vestidas de autoridade(s).

Para que continuemos a busca do feminino como liberdade, embora nos tenham levado às ilusões temerosas, cabe à(s) mulher (es) o restabelecimento do equilíbrio que as horas, não mais reificadas ou endeusadas, nos ensinaram e ensinam a desejar ir além dos permitidos. Ir além, dos preconceitos, das discriminações, dos mitos, das falácias, dos podres poderes e, principalmente do Medo.

Como, então, a partir das muitas feminilidades, das muitas multiplicidades, das singularidades e das pluralidades de ser e existir poderemos enfrentar essa Cultura do Medo? A resposta recente me veio de releituras de Espinosa e as novas de Antonio Negri sobre o filósofo polidor de lentes e mentes. De lá extrai o conceito de tempo vida e não de temporalidade. O viver como duração e não durabilidade.

Para A. Negri: “A filosofia de Espinosa exclui o tempo-medida. Ela apreende o tempo-vida. É por isso que Espinosa ignora a palavra ‘tempo’ – mesmo fixando seu conceito entre vida e imaginação. De fato, para Espinosa o tempo só existe como liberação. O tempo libertado se faz imaginação produtiva, radicada na ética. O tempo liberado não é nem devir, nem dialética, nem mediação. Mas ser que se constrói, constituição dinâmica, imaginação realizada. O tempo não é medida, é Ética...”.

O tempo é da ‘hora’ que retoma a Eunomia. Tal como o corpo feminino pode, se for libertado, se tornar o ser da revolução, da contínua escolha ética da produção. Do direito de não ser apenas um corpo reprodutor, mas aquele que enriquece o ser.

Pelos corpos que mesmo negados, ou ainda sob desmandos, ou sob midiatizações espetaculares, é que afirmo que a hora é a do ser-mulher, como forma de potência e transformação. Afirmo que, diante dos nossos desencantamentos coletivos, não nos iludamos com as organizações, mesmo as globais ou globalizantes.

A hora é a do desafio da quebra de alguns paradigmas. Macro e micropolitica-mente. A hora é do afirmar o respeitar as ‘minas’, mas tomando cuidado para pisar nas mesmas que alguns querem, belicosamente, semear em nossos caminhos e passos.

Quando, dos poderes visíveis, das ditas autoridades do alto, nos vem o anúncio de novos muros, novas discriminações, novas guerras, que muitos aqui não vêem como já existentes, as horas se tornam mais urgentes. Precisamos das outras horas, pois há sim outras deusas-horas, como Disis, que era a deusa da finalização do dia, o por do sol.

Este texto não crepuscular é um apelo, não uma alegoria, que convoca/provoca às mais poderosas e destemidas, às que podem abrir as portas de corações, podem encantar avenidas, podem desafiar ditadores, podem lançar foguetes no espaço, podem revelar verdades e desmitificar as ondas de alienação e submissão. À(s) Mulher(es) com o(s) Poder(es) de demolir(em) todo(s) o(s) Medo(s)...

(copyright/left jorgemárciopereiradeandrade 2017 ad infinitum, favor citar o autor em republicações livres pela Internet e outros meios de difusão, comunicação ou manipulação de massas...).


*Jorge Márcio por Jorge Márcio - Sou um cidadão brasileiro, formado em Medicina, com especialização em Psiquiatria, que exerceu atividades no campo da Saúde Mental, em Psicanálise e Psicoterapia, tendo como parte de minha formação a Análise Institucional. Como parte de minha história pessoal se liga à vivência de ser pai de duas crianças com Paralisia Cerebral,Yuri -1987/2000 e Luana - 1994, tendo criado o DEFNET - Centro de Informática e Informações sobre paralisias Cerebrais, tenho uma ativa militância na defesa de Direitos Humanos de Pessoas com Deficiência. 

Tenho mais duas filhas, Yasmin e Isadora que, juntamente com Luana, me inspiram, desdobrado das dobras femininas, na busca de novos conhecimentos e sabedoria para um outro Mundo possível, onde as diferenças sejam reconhecidas e possamos ecosofica e bioéticamente encontrar outros modos de VIVER, AMAR E EXISTIR... Hoje reaprendendo com a deficiência a superar e transpor um acidente de percurso da Vida...

Fonte da publicação: 

https://infoativodefnet.blogspot.com.br/2017/02/mulher-es-poder-es-e-os-medo-s.html

segunda-feira, 6 de março de 2017

CURSO - Introdução às políticas públicas para pessoas com deficiência







CURSO - Introdução às políticas públicas para 
pessoas com deficiência:

Por que fazer este curso?
Este curso foi pensado para oferecer um panorama geral das políticas públicas para profissionais de diferentes organizações, públicas ou privadas, que atuam com o público em geral, incluindo pessoas com deficiência, com o objetivo de promover desenvolvimento pessoal e inclusão social.

O que eu acrescentarei ao currículo?
Ao fazer este curso você dominará um conjunto de diretrizes que irão garantir o planejamento e a intervenção prática a partir dos princípios mais modernos de atuação neste campo, incluindo uma visão intersetorial e dos direitos alcançados por esta população.

Este curso foi feito para você!
Se você for estudante ou profissional que pretende atuar ou já atua com inclusão social voltada às pessoas com deficiência, você faz parte de nosso grupo!

Questões que serão abordadas:
  • Construção histórica da concepção de deficiência.
  • Paradigmas de atenção às pessoas com deficiência.
  • Visão técnico cientifica da deficiência e principais quadros: Da ortopedia à neurociência.
  • Conceito legal de deficiência.
  • Deficiência X Diversidade Funcional.
  • Movimento social das pessoas com deficiência e das suas famílias: história de lutas e conquistas.
  • Conceitos sobre justiça social.
  • O que é política pública.
  • Diretrizes das políticas públicas sociais.
  • SUS e SUAS: histórico, princípios, diretrizes, organização, financiamento, sistemas de informação e Planejamento, intervenção e avaliação.
  • Educação especial na perspectiva da educação inclusiva.
  • Tecnologia assistiva: suporte para uma vida participativa.
  • Trabalho e emprego para pessoas com deficiência.
  • O direito à vida plena: cultura, esporte, lazer, sexualidade e ócio.
  • Os direitos da pessoa com deficiência hoje: Da emenda 12 à Lei Brasileira de Inclusão.
  • Desafios para a próxima década.

Quem irá abordá-las?

Ana Rita de Paula – Mestre e doutora em psicologia, docente, gestora pública, consultora e autora de livros sobre pessoas com deficiência.
Elyria Yoshida - Psicóloga com experiência no desenvolvimento de políticas públicas de inclusão, com grande participação na cena da pessoa com deficiência.
Leticia Cohen – Psicóloga especialista em saúde coletiva, com experiência na área da deficiência e saúde mental e articulação de redes intersetoriais.
Louise Tonel – Psicóloga especialista em gestão de projetos, experiência no Terceiro Setor e no desenvolvimento de projetos na área da inclusão social.
Tais Suemi Nambu – Fonoaudióloga, especialista em audiologia educacional, vasta experiência em gestão de projetos voltados à área da pessoa com deficiência.


DURAÇÃO: 32 Horas
DATAS: 01 e 02 de abril/2017
20 e 21 de maio/2017
VAGAS LIMITADAS!
INVESTIMENTO MENSAL: Estudantes - R$ 400,00 / Profissionais - R$ 450,00
LOCAL: Hotel Confort Nova Paulista, Rua Vergueiro - nº2740 - Prox. Metrô Ana Rosa



Organização: Araújo e Cerveira Treinamentos
CNPJ: 14.863.301/0001-53
Dados bancários:BANCO: Itaú AG: 0435 CONTA: 05553-8
Inscrições – IVANETE ARAÚJO (11) 96705-3186
ADRIANA CERVEIRA (11) 99487-2529
(Enviar comprovante de inscrição) cursos@araujoecerveira.com.br

Panorama Social das Mulheres com Deficiência


Legenda: Imagem de uma tabela onde está escrito: "Perfil - 46,6 milhões de pessoas tem algum tipo de deficiência. Ou seja: 23% da população que tem deficiência visual, auditiva, motora ou mental/intelectual. 25,8% milhões são mulheres (26,5%); 19,8 milhões são homens (21,2%); 67,7% tem 65 anos ou mais; A deficiência visual atinge 35.774.392 pessoas; 13.265.599 têm deficiência motora; 9.717.318 apresentavam algum grau de deficiência auditiva; 2.611.536 eram pessoas com deficiência mental/intelectual; 95,1% das crianças, de 6 a 14 anos, frequentam a escola; Os trabalhadores com deficiência representam 23,6% do total de ocupados, sendo que 40,2% desses trabalhadores têm carteira assinada. Fonte: Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)". 


Legenda: gráfico em blocos onde está escrito: "Em 2010, 8,3% da população brasileira apresentada pelo menos um tipo de deficiência severa, sendo: 3,46% com deficiência visual severa, 1,12% com deficiência auditiva severa, 2,33% com deficiência motora severa, 1,4% com deficiência mental ou intelectual. Das 45.606.048 de pessoas com deficiência, 1,6% da população são totalmente cegas, 7,6% são totalmente surdas, 1,62% não conseguem se locomover.


Legenda: gráfico em forma de triângulo onde está escrito na seguinte ordem de cima para baixo: "45.606.048 de brasileiros, 23,9% da população total, têm algum tipo de deficiência - visual, auditiva, motora e mental ou intelectual. 25.800.681 (26,5%) são mulheres e 19.805.367 (21,2%) são homens. 38.473.702 pessoas vivem em áreas urbanas e 7.132.347 em áreas ruais.  


Legenda: Gráfico em forma de pizza onde aparece a proporção de homens e mulheres com deficiência. O círculo azul mostra 21,2% de homens com deficiência e o círculo vermelho mostra 26,5% de mulheres com deficiência. Em cima do gráfico está escrito: "Proporção de pessoas com pelo menos uma das deficiências investigadas na população residente segundo o sexo - Brasil 2010". Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2010.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Outra possibilidade de ser mulher

                                            
Foto: Vera Albuquerque. Descrição da imagem: Leandra em pé com apoio de uma das suas muletas. Ela está vestindo uma roupa preta sensual, olhando para câmera, rindo com um olhar de desejo. Seus cabelos estão soltos e são castanhos, assim como seus olhos. A fotografia está em preto e branco em um fundo liso e branco com a sombra da imagem. 


Por Leandra Migotto Certeza*

A mulher é um universo profundo. Comecei a mergulhar nela aos 30 anos, quando meus desejos se afloram. Meu corpo sempre foi fraco, intocável. Meus desejos sempre estiveram no mais profundo poço do inatingível. 

Pecado tocar. Errado querer. Feio. Todos apontam. Todos comentam. Todos olham. Eu nunca pude dizer há que vim. O que sou. O que desejo. O que espero. O que luto. O que preciso mostrar.

Sempre fui tolhida. Sempre fui quebrada. Sempre senti dor. Sempre me senti presa a um corpo infantilizado. A um meio corpo. A uma meia criança-menina-mulher. A algo indefinido.

A busca por uma paz interior é como o por do sol que agora é lilás da minha janela. A linha é muito tênue. O medo é maior do que o azul claro que agora toma conta do céu.

Hoje quebro. Mas não o corpo. O que ele realmente é. A massa una entre alma e carne. Entre desejo e pudor. Entre vida e morte. Entre explosão e dor. Entre prazer e abrigo. Entre eu e muitas pessoas que moram em minha alma.

O corpo de uma mulher é múltiplo. É preciso mostrar ao mundo cada pedacinho que pulsa em corpos diferentes. São bocas em cabeças tortas, pernas grossas e curtas, bumbum arrebitado e torto, coxas arredondadas e cheias de ruguinhas infantis, púbis ardendo de tesão, seios pequenos em um tronco pequeno demais.

Não há cintura, não há quadril definido. Não há pernas finas e compridas. Não há balanço dos quadris. Não há andar sensual. Não há mini saia que leva ao mistério escuro como o céu que agora está em minha janela.

Não há uma mulher padronizada, robotizada, perfeita! Não há o esperado. Há outra possibilidade de ser mulher inteira com todos os sentimentos e sentidos que pulsam do corpo de alguém que sempre foi quem é.

Amar e ser amada trouxe força a minha alma para conseguir se libertar do corpo da sociedade que sempre me toliu. Da mãe interna que sempre me proibiu de ser eu mesma. Da mãe externa que sempre teve medo de me ver despedaçada.

Eu não posso engravidar, mas tenho o direito de ser mãe tendo uma deficiência física! Eu não posso dançar flamenco e tango, mas tenho o direito de me arrepiar quando vejo os corpos se unirem com a alma, a cada passo dos bailarinos. 

Queria estar no lugar de quem tem um corpo diferente do meu. Tenho o direito de desejar ser outra pessoa, e como é bom! Não preciso bancar a conformada, aceitar a roupa de heroína (que me colocaram) ou me afundar no poço da depressão. Escolhi o caminho do meio.

Eu não posso fazer amor com tanta volúpia, e em posições que sempre sonhei; mas posso ter orgasmos estupendos! 

Eu não posso sentir meu corpo mudar, ao abrigar um novo ser em meu ventre, mas posso amar – incondicionalmente – as crianças que habitam e habitarão o meu coração. 

Eu não posso amamentar um bebê quentinho em meus braços, mas tenho muita seiva escorrendo, pelos fios da minha alma, para alimentar espíritos sedentos.


*Leandra Migotto Certeza é mulher com deficiência física, jornalista desde 1998, consultora em inclusão, cronista, escritora e poeta. Membro do Coletivo Mulheres pela Incluão. 
Também escreve nos blogs: